domingo, 20 de março de 2011

bilhete póstumo de quem ainda está vivo

"Aos velhos amigos,
quero dizer que os sinto.E que desde o momento da partida existe algo em mim pelo qual eu sinto um desejo.
Desejo, este, que não sei se quero libertar ou reprimir até sua total supressão.Eis aqui uma duvida de vida, ou de falta de vida que existe em mim.
A saudade de "ser" é algo que nos impede de nos tornarmos mais reais.Quanto menos verossiímeis somos, ninguém nos acredita e tão pouco desacredita. Não existimos, portanto.
Não existir, não ser, não destinar e fazer sublime o desejo, amigos, é mais do que triste.É vazio."

Retorno

Estive afastada pela falta de tempo, contudo os vícios e sobretudo os sentimentos os quais eles estão condicionados não pararam de transbordar em mim. Desta maneira, nada me restou além de recorrer papel e caneta para que posteriormente eles venham parar aqui, aonde os vícios- ligados e desligados- se sentem completamente a vontade para expressar sua existência dentro de mim e de vocês também.

Curtam a sequencia!

sábado, 5 de março de 2011

"Que me desculpem os emocionalmente derrocados, mas eu preciso de alguém que me puxe.
Não que eu precise ser puxada, mas cansei de puxar os outros.Puxar pra fora da lama, puxar do abismo, salvar. Não sou jesuita, não sou a Madre Teresa, não sou assistente social.Não leve a mal.Quero alguém pra dividir e não pra ensinar."

quinta-feira, 3 de março de 2011

contatos

E quando todos os passos descoordenados aplacados pelo asfalto em algum momento se encontram, de repente vejo o quanto somos perceptíveis e abertos a contatos.

O Rio de Janeiro respira intimidade entre os desconhecidos, gente simples que tem muito a compartilhar. E compartilha, seja na fila, seja no ponto de ônibus, seja no dentista, no elevador. Não me imagino mais sem falar com as pessoas, mesmo porque não sei mais viver sem elas. Não sei mais viver sem a multidão, sem ver gente. E aplaudo quem é sincero e humilde e dá abertura para uma prosa furada, sem grandes intenções, um papinho senso comum não faz mal à ninguém.E quando se compartilham lembranças e experiências?

É um valor quase inestimável fazer uma pessoa se lembrar quem ela é, e porque ou por quem ela vive. O povão quase não tem mais tempo pra pensar nisso, e quando é inquirido se põe a pensar e ai se lembra de como gosta do filho, recorda o jeito que agia há alguns anos, reclama do que lhe põe insatisfeito.

Não é pecado nenhum fofocar sobre alguma pessoa da mídia, não faz mal comentar uma matéria de jornal.Encontrar gente e se manter aberto a todo o tipo que se esbarrar é uma maneira saudável de se conhecer também, afinal temos um pouco de tudo dentro de nós.

Um contato humano, um calor.Um desejo em um simples esbarrão no semáforo. Um reencontro de si nas outras pessoas.Extroversão, identificação e aproximação. Sem cerimônias para dizer um ‘oi’. Assim a cidade constrói não só prédios como também relações.A cidade vive e eu vivo por causa da cidade.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oh you look so beautiful, tonight!



Pode parecer desinteressante agora, mas os videos dessa semana fazem muito sentido pelo momento de escolha pessoal.
Estou desligando o vicio doloroso da teimosia e insistencia em algo sem sentido.E ligando um novo momento em que mais valoroso do que conquistar, é ser conquistada.
Já pararam pra pensar nisso? Ao inves de tocar, ser tocado? Deixar que as pessoas cheguem. Deixar que as coisas aconteçam ao inves de forçá-las a acontecer.Vamos ser agentes sofredores da ação.
"Quanto mais eu ando, menos eu sei."

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Que bom...

"Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e
que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem,
mas eu nunca me esqueço.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
nessa parte do caminho."

Efemera - Tulipa Ruiz

Acho que é mais do que trilha, pra dizer que um colo,um beijo, um carinho são efemeros...Mas que bom, que bom mesmo que eu os tive.Que bom que você estava lá.Que bom que você foi me encontrar, que me esperou e que me ouviu.

Que bom que existem outras pessoas, outros sentimentos, outros momentos, que bom que o pôr-do-sol a gente não viu. Que bom que à noite a brisa é fresca, que a pedra estava lá e que a gente usufruiu.

Que bom que as coisas passam, mas que a lembrança permanece.Que bom que ficou intacto, que a gente vive num quadro, que não ficou decepção. Que bom que 'a gente' existiu e que sentimos a maresia do Arpoador.Que bom.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011