terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Assalto

Estava sozinha na rua esperando pra ir numa festa. Entrei na ultima loja aberta e comprei um vestido,saí, troquei-me no banheiro de uma lanchonete.
Olhei no pequeno espelho próximo ao lavabo e me senti razoável.Saí do banheiro e tomei lugar em uma das mesas e fingi ler um panfleto velho.-A gente sempre tenta disfarçar a solidão...- pensei.
Fiquei sentada considerando os prós e os contras de ir nessa festa, até que finalmente me convenci a ir para casa.
Desci e pela rua e fiz uma pseudo-aposta comigo: se o ônibus não estivesse no ponto final, iria beber um drink antes de ir para casa.Aposta irônica, quando a hora certa marcava quase meia-noite e o ônibus para de rodar as 22h. Perdi e fui beber.
Atravessei a rua e cheguei a Lapa, era sexta-feira a noite, estava cheia como de costume... 
-Uma caipirinha, por favor.
Esperei, enquanto observava as pessoas tão bem humoradas!Notei que definitivamente eu não estava afim de estar entre muita gente...Tava meio casmurra, queria me trancar em casa com urgência...
-Aqui está, menina.São 5 reais.
Empurrei o dinheiro e agarrei o copo grande.
Sai bebendo, cheguei a esquina.Parei para esperar o semáforo trocar de cor. Olhei para o chão e depois para a frente.Até que apareceu alguém.
O que acontece aqui, amigos, é a sensação mais esquisita da minha vida.
Meu coração contraiu, meus músculos contraíram, minha perna tremeu, meu rosto tornou-se pálido, minha boca secou, minha respiração ficou difícil.A gente se esbarrou na esquina. Aquele encontro inesperado podia ser tudo que eu precisava naquela noite.
A primeira coisa que pude relacionar essa sensação foi o ultimo assalto que havia sofrido.Adrenalina.Fiquei tão sem ação quanto ficaria se tivesse uma arma apontada para mim. Eram aqueles olhos.Talvez eu tenha mesmo sido roubada, e de fato, acho que perdi a razão naquele momento.
O resto, foi só o resto.Ainda que não tenha sido como eu desejei.
Penso que talvez isso tenha sido o mais próximo do se chama de amor.
Fui burra por não ter assumido antes.
"Eu não sirvo para isto."Aceitei e fui para casa.

sábado, 26 de novembro de 2011

Namoradeira.

abre a janela, fecha a janela.
Já passamos por isso antes.
Desta vez não é uma questão de intimidamento.É uma incerteza.Fiz a coisa certa ou não?
Fiz! Tenho certeza que sim!
Será que você me receberia novamente de bom grado na sua paisagem? Sem pré-julgamentos?
Não tenho tanta certeza assim.

domingo, 13 de novembro de 2011

Esse é o limite que me separa de você.


Então houve aquela lacuna. Algo que eu nunca soube preencher e por isso, um pedaço doloroso da minha curta história. Um verdadeiro suplício este vazio. Esse sentimento de falta, estar faltando alguma coisa... Não existe castigo maior do que este pra mim. Porque se falta algo importante, eu me lembro de solidão e, se não há ninguém, eu não existo.
É, também, com pesar que me lembro das antigas conversas, inverossímeis talvez, mas tão particulares e sem compromisso que me levavam ao êxtase de estar perto de algo não ordinário, pouco usual.
Um prazer que encontra limite.

Eu e minha boca grande, que transborda essa carência, que conta aos outros com muito peso, meu duro sabor desmedido com relação aos sentimentos. Falo de mais, nas horas erradas e me entrego. Enforco-me no discurso. Não por me faltarem palavras. Mas por erroneamente usá-las e, deste modo, me estabanar com seus significados.
Aos receptores. A carga era pesadíssima! O valor que dediquei não era igualmente proporcional ao que vocês entenderiam. Contudo, isto não significa que o sentimento não era intenso.
“Eu te amo”

Eu descobri que as únicas vezes que eu amei de verdade na vida, não se tratou de um amor sexual. Eu não conheço propriamente esse amor, não o domino. Quando eu digo que amo, amaria como amo um irmão, um bebê ou a minha própria mãe.

Aí eu volto a minha lacuna. O amor é minha lacuna. Porque ainda não consegui completá-lo, ainda me faltam razões suficientes para nele acreditar e torná-lo real. Acho que esta é a parte em que você me supera.

Esse é o limite que me separa de você.

sábado, 10 de setembro de 2011

síntese

Nessas minhas andanças, alguns flashes, insights surpreendem a mim e a minha propria consciência.
Abro aqui um vicio recorrente, e talvez fonte maior de inspiração para eu estar aqui e agora: racionalizar e sintetizar as coisas.
No entanto, até o mais parvo dos homens sabe que nem tudo pode ser descrito e compreendido.Mas vamos a mais uma tentativa, e desta vez dentro de mais uma das minhas experiências.
Estamos aqui para tentar explicar o encontro das pessoas, e como elas absorvem e interpretam estímulos dentro das relações. Soa como um bom tema de pesquisa...
A teoria é basicamente que, cada encontro - interpessoal- gera um estimulo que é recebido por ambas as pessoas e assim, interpretado, deglutido e digerido. Uma informação, como outra qualquer. Mas quando se trata de uma relação- não há equilíbrios nessa percepção. Então, vamos visualizar isso como a infante brincadeira de cabo-de-guerra: a corda arrebenta pro lado mais fraco.
Sem querer parecer desacreditada nas relações, alerto para não generalizar, mas o fato é este.
Ou você cai sozinho ou te derrubam.
Mas se você fica no chão ou se levanta nessa relação, é uma escolha somente sua.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Permanece

"Uma vez, fui até o precipício e tinha lá o livre arbítrio para gritar o que eu quisesse e ter a resposta de volta em poucos segundos no eco do abismo.
Mesmo com a dor, pedi ao vento:
- Tira ela da minha cabeça, do meu coração, mas por favor, não a tire da minha vida.
Eu te quis de qualquer jeito.
Rapidamente o eco respondeu o que eu precisava saber.
Você não precisava ir embora, nem eu deixar de amar.As coisas só tinham que mudar de lugar...
Você e eu temos uma inexplicável ligação e eu não podia desperdiçar."

Trouble 1


"Eu nunca pretendi lhe causar problema
Eu nunca quis te fazer mal
E se eu alguma vez lhe causei problema
Oh, não! Eu nunca pretendi te machucar

Eles teceram uma teia para mim"

Black bird

Como faz para ser tão incrédulo?
Não acreditar em nada, em nenhuma promessa, nem na mais provável...Parece, que a ferida é mais profunda do que eu pensava.É daquelas que te faz ter medo das pessoas e de tudo que elas te oferecem.

Faz sentido.Faz sentido estar ferido e ter medo de recomeçar, medo de confiar.Mas, por favor, não deixe todas as oportunidades passarem.






"Pássaro Negro cantando no silêncio da noite
Pegue estas asas quebradas e aprenda a voar
Toda sua vida
Você só estava esperando este momento para decolar.

Pássaro Negro cantando no silêncio da noite
Pegue estes olhos fundos e aprenda a enxergar
Toda sua vida
Você só estava esperando este momento para ser livre."